segunda-feira, 5 de setembro de 2011

CAPITÃO

Prólogo
  

Àqueles que me conheceram melhor que eu mesmo, e aos que sobre mim souberem apenas por este relato, deixarei um pouco do que minhas recordações de período recente me permitem relatar.
Muitos imaginarão ler aqui apenas a assunção de uma mea culpa à espreita da remissão de falhas que são, julgo eu, impossíveis de serem perdoadas. Asseguro-lhes que esta não foi a intenção que me levou a colocar no papel, de maneira desnuda, a desonra de meus feitos. Arrependido, assumo os erros que levo desta vida em que, apesar de claramente ter-se desenrolada em fases tão distintas, uma etapa não pôde, por nenhuma ação, compensar o mal causado pela outra. Nem seria correto se o fizesse.
Mesmo que eu não consiga, ou tampouco tente, convencer alguém que não seja a mim mesmo sobre minha real personalidade, ficará ao sabor de quem me ler, um julgamento que de nada me valerá, pois o perdão que busco creio não tê-lo alcançado onde, unicamente, o tenho buscado: em mim mesmo. Caso esta narrativa der-lhes a entender que o procurei em outrem, desfaçam esta impressão e partam do suposto de que tudo que fiz em meus derradeiros tempos foi pelo horror de meus atos e, sobretudo, por muito amor. Se acaso conseguirem me compreender a partir de meus motivos, encontrarão meu verdadeiro eu e, quem sabe até, apesar de tudo, de mim não guardarão mágoa nem rancor.


Capitão





O feixe de luz que entrava pela janela entreaberta agredia e ofuscava-me a visão que, desfocada, custava a dar formas ao estranho local. A assimilação das imagens ao redor foi demorada e, quando os olhos recobraram com deficiência sua função, apresentaram-me uma situação nada agradável que, sem sucesso, ainda deitado, eu tentava compreender.
Eu não sabia onde estava, nem qual era o dia da semana, tampouco do mês, e estas eram apenas as primeiras questões de um universo de dúvidas que se multiplicavam e ampliavam minha dor de cabeça a tal ponto de eu nem me atentar à questão principal: quem eu era?
Não me lembrava como eu havia chegado ali, tampouco se eu chegara sozinho. As dores no corpo limitavam meus movimentos à velocidade similar ao de meu lento e débil raciocínio. Contrariei a lentidão que se impunha e levantei-me tão rapidamente quanto tornei a me sentar. A cama acudiu-me da queda e, nela, permaneci sentado até que eu estivesse livre de uma nova hipotensão postural, tontura se assim preferir chamar quem supor que estes termos não cabem ao homem que logo lhes vou descrever.
Ainda zonzo, procurei por indícios do que havia acontecido naquele quarto que, por seu aspecto, sugeria um prostíbulo; alguns lugares são tão peculiares que nos permitem reconhecê-los mais facilmente do que a nós mesmos. Os bolsos da calça jogada em um dos cantos do cômodo estavam vazios; aos pés da cama, encontrei uma jaqueta que, pelo modelo e tamanho, devia pertencer a alguém que passara a noite comigo; dela exalava um adocicado perfume misturado a um leve odor de cigarro, mesmo assim eu a vesti, sentindo uma ilusória sensação de segurança. Já a calça, por me servir tão bem, julguei ser minha. Suspendi-a ao máximo para que pudesse unir-se à curta jaqueta e cobrir-me a barriga. Creio ser desnecessário narrar o quão ridículo ficou meu figurino.
Em uma das paredes do quarto onde, nas partes inferiores o mofo se sobrepunha à tinta vermelho-sangue que a cobria, um pedaço de espelho chamou-me a atenção. Aproximei-me do embaçado caco e me deparei com um rosto que eu podia jurar nunca ter visto. Limpei o pedaço que não era grande, mas ainda assim era maior do que os cacos do mesmo que estavam espalhados pelo chão. Permaneci olhando por vários minutos para os olhos arregalados do estranho, procurando-me em vão. “Quem é esse homem suado e sujo?” “Quem sou eu?”, perguntava-me, enquanto corria os dedos pela barba vasta e mal delineada que me deixava com um aspecto envelhecido. Imaginava-me oculto pela área coberta de meu rosto, supondo que um bom barbear poderia me auxiliar a encontrar quem eu procurava.
As lembranças da noite anterior vinham-me em forma de alguns flashes de memória que não me davam certeza de nada; recordava-me vagamente de uma briga, sem
imaginar os motivos que a causaram, enquanto uma latejante elevação em minha cabeça a confirmava.
Cansado de tentar juntar os fragmentos de lembranças do que ocorrera e também os pedaços de espelho que estavam pelo chão, inseguro, saí do quarto e caminhei por um sombrio corredor decorado com rabiscos obscenos e palavras de baixo calão. Desci alguns degraus da escadaria que dava para o hall da espelunca onde, atrás do balcão da recepção, uma senhora obesa lutava para se manter acordada e para sustentar nos lábios o cigarro cuja brasa se aproximava do filtro. Perguntei-lhe o que havia ocorrido e como eu teria chegado ao hotel. Sem me olhar nos olhos, pediu-me que fosse à casa de Márcia. Causou-lhe graça e, pelo discreto sorriso, até satisfação, quando eu disse não saber quem era tal pessoa:
— Parece que bateram forte mesmo nessa sua cabeça dura. Vire a primeira à esquerda e chame por ela na casa verde da esquina — disse sem dar mais detalhes sobre quem era a pessoa a quem eu devia procurar.




Logo, eu batia à porta de uma casa simples onde uma jovem me recebeu de modo hostil. No pescoço, evidenciavam-se hematomas de uma recente agressão, o que fez com que, em um breve flash, eu me lembrasse de tê-la agarrado e empurrado contra a parede, fazendo com que batesse a cabeça contra o espelho do quarto, partindo-o ao meio e estilhaçando a parte que caiu no chão.
— Fui eu quem fez isso em seu pescoço? — perguntei, não querendo crer no que me mostrou a rápida visão que tive ao vê-la. Queria não ter perguntado, mas nem aquela informação poderia ser descartada por quem estava prestes a recomeçar uma vida que parecia ainda não ter sido vivida.
— Só lhe ajudei porque você estava tão bêbado que eu já imaginava que hoje nem se lembraria o que tinha acontecido. E foi esta a paga que eu tive. Da próxima vez deixarei que te matem. Saia da porta e entre logo!
— Senhora, eu queria me desculpar e saber o que me levou a agredi-la.
— Senhora? Desculpar-se? Deixe-me ver sua cabeça — disse com um sorriso irônico que se desfez repentinamente ao examinar-me. — Está muito inchado, acho melhor você ir ao médico. Não está falando coisa com coisa.
— Agora não. Gostaria de saber o porquê de eu ter-lhe agredido e o que eu posso fazer para lhe compensar.
— Já que está tão cavalheiro, cuide do Jorginho. A babá virá mais tarde hoje — completou e, antes de sair, entregou-me uma carteira. Não havia dinheiro nem documentos, apenas a foto de uma menina com aparência indígena, junto a um papel onde estava escrito um número de telefone.
Apesar de eu não ter dado muita importância ao menino, anteriormente eu já havia notado o filho de Márcia sentado no tapete da sala, jogando vídeo game. Sentei-me ao lado do garoto imaginando que ele pudesse dar-me alguma pista sobre mim. A mãe me dissera havia pouco, assim mesmo perguntei-lhe seu nome, apenas para iniciar a conversa: Jorge — respondeu sem tirar os olhos da tevê.
— Posso jogar com você?
— Pode.
— Só tem um problema: você terá que ensinar o tio a jogar.
— Você não é meu tio, é meu pai — respondeu o menino para o meu espanto e o rapto do ar que me cercava. Caminhei até a porta para me recuperar do mal súbito e, quando me senti melhor, retornei para rever meu recém-nascido de aproximadamente sete anos. Sim, era meu filho! Agora que dissera, eu podia notar as semelhanças nas cores dos olhos, cabelos e também nos traços do rosto delicado, que se assemelhava ao que eu supunha haver debaixo da minha grosseira barba. Talvez sua mãe fosse minha esposa e, na noite anterior, teria ido buscar-me naquela espelunca, causando-me irritação e levando-me a agredi-la. Em minhas suposições, algumas peças do quebra-cabeça começavam a se encaixar, ainda que eu nem imaginasse o quão horrível seria a imagem que elas formariam.
Abri mão do jogo e fiquei contemplando Jorginho que dedicava menos atenção a mim do que à criatura que, se bem entendi, ele deveria eliminar com um laser que destruía tudo que atingia. Pensei em me apresentar a ele, mas desisti, imaginando o quão lunático eu poderia parecer e, além do mais, como eu me apresentaria? A única referência que eu tinha de mim mesmo era a de ser pai do pequeno caçador de monstros.
Inerte à situação, dirigi-me novamente à porta para buscar mais um pouco do oxigênio que parecia não se manter estável dentro da sala. Fiquei encostado ao batente da porta de entrada por onde, logo, uma senhora carrancuda passou por mim sem me cumprimentar. Apesar da cara de poucos amigos, supus ser a babá. Como eu poderia saber?
— Obrigada por ter ficado com o Jorginho — disse ela, cheirando o menino, buscando nele algum odor diferente.
— Ele ainda usa fraldas? — perguntei, estranhando aquele ato.
— Não. Estou verificando se você não lhe deu bebida alcoólica, como na última vez em que ficou com ele.
— Eu fiz isso? — perguntei incrédulo.
— Fez sim, deu-lhe vinho até que ele não conseguisse ficar em pé. Talvez não se lembre porque você também não conseguia.
— Eu não me lembro de nada nem de ninguém, quem eu sou, onde moro... Sequer sabia que tinha um filho — lamuriei, na esperança de ter alguma informação que me fosse útil e também para me esquivar da culpa da precoce bebedeira entre pai e filho.
— Não tem só este. Apesar de você nunca ter assumido o Jorge, ele e a mãe têm mais sorte do que sua filha e esposa que têm que conviver com você — disse a babá, que, sem demonstrar nenhum interesse por meus esquecimentos, ainda farejava odores etílicos no menino.
— Por favor, diga-me onde eu moro e como faço para chegar até minha casa — pedi envergonhado, em tom de súplica.
Ouvi atentamente as orientações e parti em direção ao cais para pegar uma pequena embarcação rumo à ilha onde eu morava com minha esposa e filha, ambas ainda desconhecidas para mim que, sem sucesso, tentava encontrar um elo entre minhas personalidades: a anterior à confusão no bar e a atual, que me dava a sensação de acabar de ser parido ou, se não fosse para tanto drama, no mínimo a impressão de ser um estrangeiro a pisar em novas terras.




No cais, ao me dar conta de que eu não tinha como pagar pela passagem, pedi ao garoto que recolhia o dinheiro para que me deixasse atravessar até a ilha, dando-lhe a palavra de que voltaria para acertar o valor devido. “Palavra de não sei quem!”, pensei achando graça na desgraça.
— O senhor nunca precisou pagar passagem, Capitão. Pode subir no barco — respondeu-me com ar respeitoso e, arisco, deu um rápido passo para trás quando estiquei a mão para lhe agradecer. Voltou-se desconfiado e, atento aos meus movimentos, apertou-a.
Algumas pessoas que fariam a travessia deitadas em redes, quando eu passava, levantavam-se para me oferecer seus lugares. Eu os agradeci, recusei e acomodei-me em um nada confortável assento de madeira e, antes de partirmos, ainda pude ouvir o menino que me liberara de pagar pela viagem negar o embarque a um casal cuja mulher estava gestante.
— Não pode embarcar mais ninguém! Já esqueceram do acidente? — gritava o menino muito irritado com a insistência do casal que embarcaria somente no dia seguinte, visto que era a última viagem do dia.
Pensei em ceder meu lugar, mas era tarde. O barco-gaiola já começava a se afastar da margem rumo à ilha para onde eu logo aportaria todas minhas dúvidas, receios e, principalmente, a ansiedade em conhecer minha esposa e filha que, além de prolongar a viagem pelas águas mansas, fazia-me desperdiçar um espetáculo que somente dias depois eu notei: à distância uma sequência de pequenas ilhas faziam com que o sol se alternasse entre crepúsculos e alvoradas, brincado de se esconder e reaparecer em suas laterais, como um artista que volta repetidas vezes ao palco para receber aplausos. Até que, por fim, uma ilha maior, exatamente aquela para onde rumava a embarcação, deu por finalizado o espetáculo do astro. A noite desabou em minutos e minha insegurança aumentava na velocidade da escuridão. Eu tentava controlar o tremor das mãos que suavam e espalhavam uma sensação terrível para todo meu corpo. Sentia-me expelido do útero através de um corredor sombrio de paredes rabiscadas, com a quase certeza de que, ao contrário de um recém-nascido, eu não seria bem recebido.



Ao chegar na única, mas extensa rua da ilha, seguindo a orientação da babá, sem dificuldades, encontrei a casa de bonita fachada onde, segundo ela, eu residia. Olhei-a por alguns instantes procurando algo com que eu pudesse me identificar, mas nada! Nem o enorme cachorro que surgiu latindo amigavelmente não me era familiar. Bati palmas, e a escuridão não me permitiu ver com precisão o rosto da mulher que saiu da casa para abrir o portão, e que voltou rapidamente para dentro sem nada dizer. Sem se aproximar, o Dogue Alemão ficou a me rodear. Chamei-o, e o gigante veio arrastando a barriga no chão, num misto de submissão e medo. Parou a pouco mais de um metro de mim e, quando bati suaves palmas incentivando a se aproximar um pouco mais, ele, desengonçado e apavorado, correu para o fundo do quintal e de lá não saiu tão cedo.
A mulher que me recebeu ao portão era minha esposa, e seu evidente descaso superava a curiosidade em saber o porquê de eu bater palmas diante de minha própria casa, fazendo-a dar de ombros e voltar para a cozinha para continuar o preparo do jantar. Entrei na casa procurando por minha filha que não estava na sala que avizinhava a cozinha.
— Olá! — disse eu sem saber como começar um diálogo com a estranha com quem eu era casado. Não obtive resposta, ficando encostado à porta da cozinha, o que pareceu ter-lhe deixado irritada.
— Vá tomar um banho para jantarmos. Você está sujo e cheirando mal.
— Não quer saber por onde andei? — perguntei-lhe admirando sua beleza que nem mesmo a nada agradável feição do momento era capaz de esconder com o franzir de sobrancelhas e um olhar tão duro que, se falasse, diria-me palavras piores do que as da babá e, sem que eu imaginasse o porquê de merecê-las, já me sentia merecedor. O nariz era em formato nobre, longo e arrebitado e dele desciam lábios em contorno de arco, que a mim nada proferiam senão flechas, que por mais que doessem, surtiam o mesmo efeito das de um cupido, enquanto eu, flechado e hipnotizado, via-os se moverem sem ouvir o que diziam. O porquê era óbvio: eles não diziam nada. O que eu via eram novos flashes e estes não costumam vir acompanhados de som.
— Não — respondeu breve e friamente a pergunta que eu mal lembrava de ter feito.
— Eu preciso conversar com você — disse-lhe saindo de meu transe, sem saber por onde começar.
— Deixemos para depois. Tenho que terminar o jantar. A Rita está para chegar da escola.
— Onde fica o banheiro e onde eu posso pegar roupas limpas?
— Nos mesmos lugares em que sempre estiveram; você nunca bebeu a ponto de não se lembrar onde ficam suas gavetas e o banheiro.
— Eu não estou bêbado. Realmente não me lembro de nada desta casa. Eu poderia até jurar que hoje é a primeira vez que estou lhe vendo — disse-lhe lamentando não me lembrar de nossos momentos, acreditando que alguns tenham sido felizes.
— O que aconteceu? — perguntou preocupada, constatando que eu não cheirava a álcool e, em uma atitude descabida de pudor, fechou rapidamente sua blusa, diminuindo o generoso decote que a ajudava a amenizar o calor que enfrentava à beira do fogão.
— Não sei ao certo o que houve. Acho que me envolvi em uma briga. Alguém bateu em minha cabeça e, desde então, eu não me recordo de nada nem de ninguém.
— Sente-se na cadeira, deixe-me ver. Onde foi que bateram? Não há nenhum inchaço.
O inchaço havia cedido, mas ainda estava muito dolorido no ponto em que tentei colocar suas mãos. Espantada, ela as retirou rapidamente evitando que eu as segurasse.
— Não parece estar machucado. Deixe-me pegar suas roupas — disse visivelmente perturbada com a situação.
Logo retornou e levou-me ao banheiro no andar superior da casa. Após um demorado banho, que parece ter-me rejuvenescido uma década, desci à sala de jantar livre da barba que me desagradou ainda mais quando a vi no espelho grande e limpo do banheiro. Minha face lisa causou um novo e maior espanto nela e em minha filha que chegara da escola havia pouco.
A ciência de ter uma filha fez com que não se repetisse o susto nem o mal súbito daquele mesmo dia, quando conheci o Jorge. O menino foi uma surpresa, um supetão que, ao contrário do que ocorreu com Rita, não me dera algumas horas de antecipação para me acostumar com a ideia. O choque e a ansiedade deram lugar à emoção em ver a menina pela “primeira vez”. Saiu à mãe, linda igual; à mesa, perguntei-lhe a idade, mas ela não respondeu; perguntei-lhe em que série estava e também não obtive resposta.
— Renato, vamos jantar. Depois nós conversaremos — disse a mãe, poupando a menina de minha chateação.
Enfim, eu descobrira meu nome e estranho era o fato de eu não o ter perguntado a ninguém. Gostei e achei-o bastante apropriado à situação; sugeria o renascimento e me agradava mais do que ser chamado por apelido e carregar uma patente que eu supunha não ter, e de fato não a tinha.
Durante todo o jantar eu olhava para Rita que evitava olhar-me de maneira deliberada, apesar da novidade de me ver sem a barba. Soube depois que era a primeira vez que ela me via assim. Era a minha primeira também e, contrariando minha expectativa, não me encontrei sob a barba. Mais de uma vez flagrei-a olhando-me com a cara voltada para a comida e os olhos semicobertos pelas sobrancelhas. Olhar de quem não queria ser notada e que, ligeiro, se voltava ao prato quando descoberto. Entramos em um jogo que a levou a esboçar um sorriso e não voltar a olhar para mim enquanto estivemos à mesa.
Após o jantar, enquanto Rita cuidava de seus deveres escolares, sua mãe chamou-me até a varanda para conversarmos.
— Ela é linda, tem seus traços — disse à Elizabeth, que reagiu com indiferença ao elogio.
— Muito mesmo, mas já viu e ouviu coisas que não devia e, como você deve ter notado, ela tem muito medo de você.
— Eu já bati na menina?
— Não, mas não sei se já não o teria feito se, por algumas vezes, eu não o impedisse. Você costuma chegar embriagado em casa e, para evitar problemas, eu deixo o jantar pronto e a levo para meu quarto, onde temos passado nossas noites há anos. Hoje foi uma exceção.
— Por que você ainda não pediu o divórcio?
— Por medo. Você ameaçava a mim, a menina e até meu pai que incentivava a separação. Agora preciso adiantar as coisas para amanhã, acho que você não se lembra, mas sou professora e tenho que preparar provas.
Desejei-lhe boa noite e permaneci na varanda vendo-a forrar o sofá onde eu imaginava que deveria dormir. Não me apressei em entrar, aproveitando o frescor da noite para aventar a situação que o calor sufocante do dia pareceu tornar ainda mais confusa. Momentaneamente eu desisti da busca por mais informações. Todas que obtive desanimaram-me de perguntar mais sobre mim. Nada de positivo me era dito sobre meu passado que, até aquele instante, só havia me dado motivos para me envergonhar.
Da mureta da varanda eu conseguia ver o gigante encolhido em um dos cantos do portão a me olhar. Desci os degraus que delimitavam a casa do quintal gramado e chamei-o. Novamente ele se aproximou arrastando a barriga na grama. Quando bem próximo, evitei fazer qualquer movimento brusco que pudesse afugentá-lo, como bater palmas ou coisas do gênero. Lentamente inclinei-me e passei suavemente a mão sobre sua cabeçorra. Foi o que bastou para que saltasse, jogando muitos dos seus mais de sessenta quilos sobre meus ombros. Não esperando por aquela atitude, tampouco a carga do brusco abraço, desabei de costas no gramado. Enfim, uma recepção amigável. Não me apressei em escapar das lambidas que me percorriam do queixo até a testa. Brinquei com o animal que parecia tão carente quanto eu. Ainda deitado, pude ver que Elizabeth observava-me pela janela da sala e, ao perceber que eu a vira, de imediato fechou a cortina. Livrei-me do brincalhão que, saltitante, me rodeava enquanto eu caminhava apressado rumo à sala, na esperança de poder conversar um pouco mais com Elizabeth. Quando entrei na casa, ela já havia subido para seu quarto e deixado em cima do sofá-cama, esticado para meu sono, um pijama azul que, ao vesti-lo, pareceu-me bem confortável. Soube depois, por ela mesma, que eu o ganhara na ocasião do dia dos pais; eu o detestava e nunca o havia usado antes daquela noite. Após este, creio que ela tenha me imposto uma grande quantidade de outros testes que, por não desconfiar, eu nem podia imaginá-los. Quase todos eram gentilezas. Que sujeito infeliz era eu que não era dado a aceitar e nem a fazer agrados? Poucas destas provas foram-me reveladas para que ela pudesse ter certeza de que eu não a enganava. Semanas depois, ela disse que, por um determinado período, o Capitão fez-se de arrependido de seus erros e, por um tempo, enganou-a para que não precisasse violentá-la, conforme vinha fazendo. Após conseguir o que queria ele voltou a maltratá-la. Para ela, foi tão doloroso quanto um estupro.
Digo-lhes que olhei para o sofá como um caixão de onde eu poderia levantar-me tal qual um cataléptico, trazendo de volta à vida um famigerado indivíduo. A ansiedade causada pela vontade de conhecer melhor meus filhos, esposa e me retratar com pessoas, que eu imaginava não serem poucas, contribuíram para retardar em alguns poucos minutos meu sono. Lutava para não dormir e assegurar minha permanência na vida que me parecia perfeita, com tudo que um homem poderia desejar, e esta vida eu não estava disposto a entregar a quem dava tão pouco por ela.
O cansaço que senti ao deitar me fez imaginar que eu devia ter dormido bem pouco na noite anterior e, embora excitado com tantas novidades, em dado instante, o sono pesou sobre mim e, sem resistências minhas, dominou-me mesmo eu estando desejoso em permanecer acordado.
Sonhos estranhos sucederam-se uns aos outros, e normal que assim fossem, pois eram sonhos de outro homem, cheios de acontecimentos e pessoas do mundo do Capitão. Sonhei com cartas de baralho, prostitutas, brigas e, destoando completamente do que devia ser bem peculiar ao eu antigo, vi uma menina com traços indígena e olhar triste, quase de piedade; era a mesma da fotografia em minha carteira. No sonho, eu a abraçava com volúpia. Despertei antes que a gigantesca onda de lama que vinha em nossa direção nos cobrisse. Acordei grato por ainda não ser quem eu era antes. Não conseguia me lembrar de nada além do dia anterior e lhes confesso que aquilo me aliviava.




Já era dia e, sozinha à mesa, Elizabeth tomava seu café. Rita já havia ido para a escola; uma monitora ia diariamente à ilha para buscar apenas duas crianças de manhã e devolvê-las à tarde; uma era Rita. Sobre a outra, não tardarei em lhes falar.
Desatento ao cabelo emaranhado, lavei o rosto e escovei os dentes, rápido o suficiente para acompanhar Elizabeth no final de seu desjejum. Ela respondeu com pouco entusiasmo ao bom dia que lhe desejei e, sem tirar os olhos do noticiário, perguntou-me se eu havia melhorado. — Nunca me senti tão bem em minha vida — respondi sorrindo sem imaginar que, ao contrário de mim, ela não limitava minha existência a menos de vinte e quatro horas. Mas a dureza de seu semblante limitou o tempo de duração de meu sorriso, que se desfez de imediato quando ela me olhou por sobre o jornal.
— Ainda não se lembra de nada?
— Não, e me sinto bem assim. Quero começar tudo de novo, ter de volta tudo que, não sei como e nem por que, eu perdi.
Desconfiada, ela repousou o jornal sobre a mesa e, sem nada dizer, analisou-me com olhar frio e ao mesmo tempo curioso. Atrás dela, uma arredondada e colorida janela emoldurava seu rosto em um iluminado vitral, semelhante aos das catedrais, pelo qual o sol transpassava. Formou-se em minha mente uma fotografia que, depois daquela manhã, surgia-me quase sempre que nela eu pensava. A imagem da santa bela e desconfiada tornar-se-ia presente em meus breves dias. Eu começava a me acostumar com os olhares de desconfiança. Vários iguais foram-me lançados naquele meu primeiro dia que não podia ser intitulado como atípico, pois assim seriam todos os próximos. Uns até mais que outros, apresentando-me sucessões de acontecimentos e sentimentos inéditos, quase sempre desagradáveis. Quem me dera ser criança para poder assimilar, sem sustos e em tão pouco tempo, tantas novidades e quedas!
Elizabeth pediu-me para que eu ficasse em casa naquele dia. Imaginei que a recomendação dava-me algum crédito; a preocupação inesperada de Elizabeth trouxe-me conforto em meio à frieza com que eu vinha sendo tratado pelas poucas pessoas com quem eu havia conversado até então. Sentia-me como meu cachorro, tão carente que, se nenhum pudor ou temor eu tivesse, poderia saltar sobre quem me desse um pouco de atenção. Ela anotou o telefone da escola onde lecionava para que eu ligasse, caso me sentisse mal, e foi para o trabalho.
Resolvi não sair nem mesmo para caminhar pela rua onde eu morava. Olhei algumas fotografias de um álbum que estava na estante onde, em algumas poucas, eu aparecia com cara de quem não queria participar daqueles momentos, tampouco registrá-los. Minha expressão nas fotos reforçava a impressão de um homem embrutecido, polido em lixa grossa, zangado com tudo que a vida lhe reservara sem reservas. Quanto mais pessoas havia nas fotos, mais carrancudo nelas eu aparecia. Eu não reconhecia ninguém que eu ainda não tivesse visto nas últimas horas, no caso minha esposa e filha. Rita era a referência que me dava uma imprecisa noção cronológica das fotografias. Nenhuma parecia ser muito recente a julgar pelo tamanho da menina na foto que eu presumia ser a mais atual. Interessaram-me as mais antigas e nelas eu procurava a mim mesmo, mas só o fantasma estava presente, sempre com a mesma fisionomia assustadora. Havia fotos de Rita ainda bebê. Olhei para elas por alguns instantes tentando resgatar lembranças pelas quais eu lamentava minha amnésia. Fechava os olhos e, apertando-os, esforçava-me para recordar daqueles momentos, mas nada me vinha, nenhum breve lampejo. Tive a certeza de que, enquanto eu existisse, eles estariam definitivamente perdidos, tanto os que eu não fazia questão de lembrar, quanto os que me furtavam os supostos prazeres de um pai de família. Estes sentimentos só poderiam ser recompostos pelo Capitão que, neles, parecia não ter tido nenhuma alegria. Deixei o álbum e voltei minha atenção para os livros da estante que separava, em suas divisórias, quatro tipos diferentes de literatura: filosofia, antropologia, auto-ajuda e infantil. Imaginei que os de auto-ajuda fossem os meus, devido ao conturbado estilo de vida que eu parecia levar. Os de filosofia seriam mais úteis, mas certamente o Capitão não podia entender a elevação de tais pensamentos e, assim como os de antropologia, eles deviam pertencer à Elizabeth. Não foi tarefa difícil imaginar de quem seriam os infantis. Soube depois a quem pertenciam os livros de cada segmento e acertei meus palpites. Ciente de minhas limitações intelectuais, Elizabeth tentava me humanizar comprando vários livros de auto-ajuda, repletos de mensagens e ensinamentos de fácil assimilação, mas de aplicação prática duvidosa, pois eu continuava sendo o rude Capitão, mesmo após ter lido alguns deles. Soube que depois de ler quatro ou cinco, decidi não ler mais nenhum dos que Elizabeth vinha comprando com frequência. Neste ponto não discordo do Capitão: caso estivesse disposto, a partir da primeira leitura ele teria mudado. Não seria uma sequência de leituras enfadonhas que iriam melhorá-lo, se ele não se empenhasse para isto. Os livros eram diferentes na abordagem, mas iguais no fracasso de seus propósitos.
No quintal, a luz do sol oferecia em abundância a clareza que nos livros me faltava disposição para procurar. Brinquei com o cachorrão que eu esquecera de perguntar o nome. A brincadeira não se prolongou devido ao cansaço que o bicho me causava. Segurá-lo, sem me deixar estatelar no chão, era algo que exigia excelente preparo físico e, definitivamente, eu não o tinha. Olhares curiosos de pessoas que quase paravam ao me ver brincar descontraído como um garoto, também contribuíram para o encerramento da brincadeira.
Voltei para a sala e, sem saber o que fazer, fui ver televisão. O antigo filme Tempos Modernos, estava sendo exibido. Lembrei que eu já o havia assistido. Mais uma vez fiquei intrigado com fato de lembrar de algumas coisas e não de outras mais significantes para mim: eu sabia a raça de meu cachorro, mas não conseguia me lembrar de seu nome; nas várias fotos do álbum de família, com exceção de Elizabeth e Rita, eu não sabia quem eram as pessoas que nelas estavam, mas pude reconhecer alguns lugares que eu ainda não havia estado ou visto recentemente. O filme sugeria como seria o trabalho no futuro, o que me levou a dar conta de que eu ainda não sabia em que trabalhava. Tendo dois filhos, eu havia de ter alguma ocupação para poder mantê-los. Fiquei preocupado com a possibilidade de ser demitido por estar faltando ao trabalho. Voltei a ver o álbum, procurando por alguma evidência que pudesse me esclarecer qual era minha ocupação. Observando mais atentamente, reparei que, em duas fotos, eu aparecia ao timão de uma embarcação semelhante a que me trouxera até a ilha. Talvez fosse a mesma. Nos detalhes das fotos, consegui ter a certeza de que a chalana estava em movimento no momento em que fui fotografado em seu comando. Agora a alcunha fazia-me sentido: eu era o Capitão daquela embarcação.
Junto ao telefone da escola, Elizabeth também deixou dinheiro. O valor parecia suficiente para saldar a dívida de meu transporte e para um novo passeio na embarcação. Deixei um bilhete e fui até o pequeno cais. Sendo que outro garoto recolhia o valor das passagens, decidi entregar o dinheiro quando eu chegasse à cidade. Esperei por quase uma hora pela chegada da embarcação e, logo que ela aportou, entrei para assegurar um lugar próximo ao timão. Queria constatar se havia alguma familiaridade entre mim e o velho leme e, no momento em que me aproximei dele, soube que, de fato, eu sabia como manejá-lo. Sim, eu era o Capitão. Na dúvida se eu ainda exercia o ofício, perguntei ao jovem que chegou de seu rápido descanso para retomar sua atividade.
— Bom dia! O senhor trabalha para alguma empresa ou é o proprietário?
— Trabalho para o Pedrão desde que ele comprou a tartaruga do senhor — respondeu o rapaz com a feição que me dava a dica de que ele também não entendia o porquê da pergunta.
Eu era o dono da “tartaruga”. Era assim que a chamavam. Por tê-la vendido, eu não sabia se o Capitão gostava dela, mas senti vontade de conduzi-la até a cidade. Talvez somente pela necessidade que eu sentia de fazer algo de útil.
Acomodei-me em uma das redes e, na calmaria das águas, pude apreciar as belezas desperdiçadas pelas incertezas e pela escuridão da viagem anterior. Eu identificava e podia nomear cada bicho que via pelo caminho. Vi várias aves durante o trajeto e conhecia a espécie de todas elas. Cheguei a imaginar que eu pudesse ser um biólogo, mas quando um menino gritou a um outro menor — Olha, um socó-dorminhoco! —, meus conhecimentos em relação às espécies pareceram-me comuns a qualquer um que ali estava. Em certo instante, achei que já havíamos chegado; muitos passageiros gesticulavam e alguns gritavam para outras pessoas. Na verdade, nem havíamos nos afastado da ilha, apenas a tínhamos contornado. Levantei-me da rede e aproximei-me da beira da barca. Vi que as saudações eram para os ribeirinhos que caçavam caranguejos no mangue. Vendo que acenavam de volta, supus serem aqueles gestos uma saudação costumeira aos que executavam o penoso trabalho. Também acenei, mas no mesmo instante os trabalhadores encerraram as saudações e, com exceção de uma menina, voltaram aos seus afazeres. Chamou-me a atenção a menina que permaneceu olhando para a chalana; parecia-me familiar. A proximidade entre a barca e o mangue permitiu-me notar que ela me observava e, antes que o distanciamento me fizesse perdê-la de vista, como que não querendo ser notada, ela fez um discreto aceno. Ela era a menina com quem eu havia sonhado; a menina da foto. Apesar da curiosidade, evitei fazer perguntas aos passageiros, que pareciam pouco à vontade com a minha presença.
Após contornar parte da ilha, a chalana seguiu em linha reta até a cidade. A viagem pareceu um pouco demorada ao meu estômago que havia horas que não recebia nada além do café que tomei, ainda muito cedo.
A cidade surgiu como um pequeno ponto que foi crescendo no horizonte plano e, quando não pôde agigantar-se mais, desci da embarcação. Encontrei o garoto com quem quitei meu pequeno débito e, além da passagem de volta com saída programada para dali a duas horas, comprei alguns salgados que ele mantinha em uma caixa de isopor para vendê-los aos passageiros e, tentado a visitar Jorginho, fiz meu almoço tardio. Aquela era uma situação que, mesmo não sabendo como, eu gostaria de resolver rapidamente, mas a calma se fazia imprescindível, devido ao Capitão manter um relacionamento ainda mais conturbado com Márcia e Jorge do que mantinha com Elizabeth e Rita. A insegurança em relação à recente briga também colaborou para que eu aguardasse o tempo que ainda faltava para o retorno à ilha sentado à beira da plataforma de madeira do cais, onde encontrei no buliçoso desassossego das águas um momentâneo sossego. Muitos dos passageiros iam à cidade para resolver rápidas pendências. Grande parte dos que vieram comigo foram chegando para, também, embarcar naquela mesma viagem de volta. A exemplo da vinda, e diferente do que ocorreu no dia anterior, a chalana não encheu, possibilitando-me novamente escolher onde viajar. Desta vez, propositalmente, escolhi uma rede que, devido ao ângulo em que o sol se encontrava, seus raios me atingiria durante quase todo o tempo que levaria a volta. A fim de reduzir a diferença nas tonalidades de meu rosto bicolor, coloquei um lenço na parte superior deixando descoberta a pálida região onde existia uma densa barba. O sol castigava-me e, a certa altura, tive que me abrigar em local coberto. Entre tantas e mais importantes que eu tinha para resolver, aquela era uma questão que não valeria insolação.
Quando nos aproximamos da beira do mangue na viagem que, sem o incômodo da fome, pareceu-me mais curta, fiquei em local estratégico da embarcação, podendo ver os trabalhadores sem que eu fosse visto com exatidão suficiente para ser reconhecido por eles. Os acenos se repetiram enquanto alguns avisos e recados, não sigilosos, eram passados aos gritos por pessoas que tinham amizade ou parentesco com os enlameados ribeirinhos. Minha atenção focou-se na menina que parecia procurar alguém na embarcação. Posicionei-me um pouco mais atrás da coluna de madeira que me ocultava e, sem chegar a nenhuma conclusão, fiquei olhando para ela até o contorno da ilha levar-me a perdê-la de vista.
Ao aportar, mesmo ela pedindo para que eu não fizesse aquilo, ajudei uma cadeirante que tentava subir o alto degrau da plataforma de madeira que compunha o pequeno cais. Ajudei-a contra sua vontade crendo que era somente por orgulho que ela me pedia para deixá-la. Ao terminar a boa ação, fui bruscamente empurrado por um rapaz que, se não fosse seguro por um outro mais forte, teria me agredido ainda mais. A dor que senti ao bater as costas na quina da plataforma não me permitiu assimilar o que o agressor tão ferozmente me dizia. Ameaças foram feitas e, dada à fúria do rapaz que nem era robusto, procurei não perguntar a razão da explosiva atitude.
Para recuperar-me da dor e evitar problemas, permaneci sentado por algum tempo enquanto a cadeirante e os dois rapazes se afastaram. O maior discutia com o mais jovem que, em idade, não era muito mais que um adolescente. Um outro rapaz, que passava por ali, estendeu-me a mão e ajudou-me a levantar. Antes que eu pudesse agradecê-lo, virou-se e, apressado, subiu a rua da ilha. Chameio-o, mas o rapaz sequer olhou pra trás.
As dores nas costas fizeram-me caminhar com ...

LIVRARIA MARTINS FONTES: http://www.martinsfontespaulista.com.br/ch/prod/405540/CAPITAO.aspx  

4 comentários:

  1. Muito bom Sérgio! :-)
    abração e sucesso!

    Adriano Siqueira

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  2. Companheiro, parabéns pelo livro.

    Um grande abraço,
    Átila Siqueira.

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  3. Bom dia Sergio.

    Gostei muito do post, fiquei interessado.

    Parabéns e sucesso.

    Abçs!!

    http://devoradordeletras.blogspot.com/

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